O projecto localiza-se em Entrecampos, no centro de Lisboa, numa zona deixada devoluta no final do século XX, gradualmente ocupada por estacionamentos formais e informais, resultando num espaço negligenciado e desordenado, agora em profunda regeneração, processo onde se inclui o Empreendimento das Forças Armadas, do qual o projecto faz parte.
O plano prevê a construção de um edifício de 9 andares, composto por 152 apartamentos — T0 a T4 — destinados a arrendamento a preços acessíveis. O edifício é composto por três blocos de apartamentos que formam uma grande unidade residencial, com aproximadamente 110 metros de comprimento, e está organizado em três níveis funcionais distintos: o bloco residencial nos andares superiores; serviços e espaços comuns no piso térreo; e área comercial no embasamento, semi-enterrado. A sua aparência exterior, com varandas em betão armado, revela a solução estrutural, em consonância com a estratégia de manter baixos os custos de construção e manutenção.
Inspirando-se nas «cours» de Paris, o acesso ao edifício faz-se através de uma ampla área coberta que conduz a um espaço comum exterior privado. Este piso, francamente aberto e ligado ao espaço público, funciona como o espaço central na vida do edifício. Trata-se de um jardim linear ao longo de uma galeria exterior coberta, proporcionando acesso às várias unidades residenciais, ao estacionamento de bicicletas e a todos os espaços comuns, com o objetivo de incentivar os residentes a utilizá-lo, garantindo maior segurança e laços comunitários mais fortes. A ala sul do complexo alberga a creche, que se abre para uma zona exterior na extremidade sul, sobre a entrada do espaço comercial. A extremidade norte concentra a zona de serviços para a área comercial.
O complexo habitacional está dividido em três blocos, cada um com oito andares. Cada bloco tem um apartamento em cada extremidade com acesso a duas fachadas. Todos os restantes apartamentos têm apenas uma fachada, virada para nascente ou para poente.
A geometria das varandas, juntamente com a sua divisão entre os apartamentos, forma uma estrutura de fachada em betão com uma grelha fixa que permite a continuidade do espaço interior, criando a perceção de um apartamento mais amplo. As varandas mais profundas na fachada principal proporcionam também uma melhor proteção do sol poente.
O projeto inclui ainda uma intervenção da artista Fernanda Fragateiro que apresenta uma série de palavras e frases inscritas no edifício, algumas de carácter mais público, dirigidas à cidade, e outras compostas por pequenas palavras inscritas nos tetos das varandas dos apartamentos, conferindo a cada apartamento — e a cada residente — uma identidade personalizada e promovendo relações de vizinhança, mais escassas em edifícios de tão grande escala.