O bairro das Amendoeiras é parte de um plano de realojamento iniciado nos anos 1960, no lado oriental do vale de Chelas, de que a escola faz parte como equipamento de apoio. Como em todos os bairros desta natureza, a escola pública desempenha um papel central na vida das populações residentes, como reflexo e referência dos objectivos escolares e culturais que providenciam, ao mesmo tempo que desempenham um papel de encontro e acolhimento da pluralidade e da diversidade. A proposta pretende reforçar a relação física entre a escola e o bairro, tentando reduzir o impacto da sua posição periférica no mesmo.

A opção de demolição do edifício existente e construção de raiz da totalidade dos espaços foi tomada com base na resolução de dois problemas existentes: o incumprimento da legislação de resistência sísmica e da legislação de acessibilidade, ambos com custos elevados do ponto de vista económico e da inclusão e da funcionalidade num espaço escolar que se quer aberto, relacional e inclusivo.

A estrutura da nova proposta distribui-se em três volumes: a sul, os espaços de apoio e a zona de administração, gozando de ligação directa à entrada de serviço; no centro, o grande volume escolar; e a norte, a zona desportiva envolta pelos espaços desportivos exteriores e zonas de recreio.

Do lado da Rua Aquilino Ribeiro, a nascente, a escola apresenta-se como um edifício térreo, de reduzida expressão, marcada por um volume mais alto que anuncia a entrada. A poente desvenda-se um segundo piso, inferior, que se anuncia como um embasamento sólido, em betão, e se desenvolve nas extremidades, desenhando o novo ginásio a norte e as áreas técnicas, cozinha e refeitório a sul. Esta massa cravada no terreno é a base do corpo principal das salas de aula que poisa por cima, e que se anuncia como uma estrutura ligeira, de madeira, de desenho simples e delicado, sustentável e eficiente na construção e manutenção do conjunto.

Esta regularização da plataforma permite que a maior parte de vida da escola aconteça toda ao mesmo nível, ao contrário da situação original. Esta operação permite reduzir a área de escavação ao mesmo tempo que garante a contenção do terreno. A criação dos dois pisos, a poente, permite manter quase toda a estrutura arbórea existente, que garantem protecção visual e sonora das salas nesta frente.

Os espaços exteriores concentram-se na periferia do lote escolar – excepto no limite sul que está afecto às áreas de serviço. Além desta ocupação dos limites, no centro da zona escolar há um pátio exterior que garante a luz natural e ventilação natural a todas as circulações e ao espaço de biblioteca, e um terraço exterior de recreio na continuidade do átrio principal, em relação directa com o refeitório.

Escola Básica e Jardim de Infância Aquilino Ribeiro
Marvila, Portugal
2023 (em curso)
Concurso, 1º classificado
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