Num lugar como Piraeus, sobre o chão aparentemente uniforme desta plataforma portuária, o projecto trabalha a ideia do solo rico de conteúdo, história, sinais sobrepostos ao longo do tempo, lógicas perdidas, marcas cujo significado se torna difuso. Propomos recuperar vestígios da história de construção do lugar, incorporando-os como base da nova estrutura proposta, e fazer participar do futuro programa cultural do lugar parte significativa do seu carácter operativo e funcional.
Um silo de armazenamento de cereais, organizado verticalmente numa rígida configuração formal e funcional adapta-se com inesperada simplicidade ao seu novo programa de museu. O peculiar modo de condução dos cereais no antigo armazém, acedendo verticalmente até ao topo e depois conduzidos por via da gravidade, acaba por estabelecer analogias com outros espaços museológicos contemporâneos, enquanto traduz simbolicamente a ideia de imersão que o próprio programa museológico sugere.
O visitante é convidado a fazer o percurso dos cereais que vai da superfície à profundidade, ao mesmo tempo que lhe é possibilitada uma leitura paralela sobre o próprio espaço que percorre.