A instalação do Museu Nacional da Música num edifício que tem a música na sua génese era a forma perfeita de potenciar a colecção existente com a sua ligação à condição de Mafra como edifício- instrumento. Esta ideia que aparece pontualmente na história recente da arquitectura, é já evidente nesta construção do séc. XVIII que incorpora instrumentos complexos, como o conjunto dos órgãos e o carrilhão, para os quais foram produzidas composições musicais específicas e exclusivas.
Esta ligação tem, para nós, tudo a ver com a ambição de um museu vivo, mais do que uma mostra de objectos, um museu de experiência e pedagogia, que transmite a música nas suas vertentes histórica e contemporânea, na exploração da física dos instrumentos e, principalmente, na relação sensorial e na interacção com o fenómeno musical com um todo.
Esta intervenção tem a particularidade de ser um museu dentro de um museu. Ou seja o museu nacional da música será um espaço de exposição que permite a descoberta dos conteúdos musicais mas também a contemplação do magnífico edifício do palácio.
Assim, a proposta revela acima de tudo um sistema expositivo muito elementar, que dialoga com o palácio na sua simplicidade e que procura ser muito flexível na sua apropriação, dispondo as vitrinas, espaços de estar ou áreas interactivas de forma a libertar algumas áreas de maior nobreza para um uso polivalente, para eventos musicais ou outros, que se podem facilmente ligar aos restantes espaços do Palácio, promovendo, mesmo que pontualmente, a leitura e usufruto total do Palácio, em todas as suas vertentes.